O versículo 1
deste capítulo nos diz que as duas Marias que haviam assistido ao seu sepultamento
estavam de volta ao sepulcro imediatamente no dia de Sábado. Elas vieram “quando já despontava o [no crepúsculo do
– JND] primeiro dia da semana”. O
dia de acordo com a contagem judaica terminava ao pôr do Sol, e devoção delas era
tal que assim que o sábado acabou elas estavam em movimento e visitaram a
sepultura. Não é fácil juntar os detalhes que os quatro evangelistas nos deram
para formar uma narrativa conectada, mas parece que as duas Marias fizeram essa
visita especial e depois voltaram ao amanhecer com Salomé e possivelmente
outras, levando especiarias para embalsamar. Marcos e Lucas nos falam sobre
isso, e devemos julgar que o versículo 5 do nosso capítulo se refere a esta
segunda ocasião, de modo que o que está registrado nos versículos 2-4 ocorreu
entre as duas visitas. Seja como for, é claro que ao nascer do Sol, no primeiro
dia da semana, Cristo estava ressuscitado.
Um terremoto
sinalizou Sua morte e um grande terremoto anunciava Sua ressurreição, embora
aparentemente localizado, pois estava ligado à descida do anjo do Senhor. As
autoridades da Terra selaram o sepulcro, mas uma autoridade imensamente
superior quebrou o selo e arremessou a porta de pedra para trás. Na sua
presença, os guardas tremeram e foram atingidos pela inconsciência da morte. O sepulcro
selado era o desafio de homens audaciosos. Deus aceitou seu desafio, quebrou
seu poder e reduziu seus representantes ao nada. O Senhor Jesus havia sido ressuscitado
pelo poder de Deus e o sepulcro foi aberto para que os homens pudessem ver que,
sem dúvida, Ele não estava lá. O anjo não apenas removeu a pedra, mas sentou-se
sobre ela, colocando-se como um selo sobre ela em sua nova posição, para que
ninguém a rolasse de volta até que um grande número de testemunhas tivesse
visto o túmulo vazio.
Mateus nos fala
de um anjo sentado na pedra. Marcos nos fala de um sentado do lado direito, mas
dentro do túmulo. Lucas e João falam de dois anjos. No entanto, todos eles nos
mostram que, embora as mulheres temessem na presença dos anjos, não eram
feridas como os soldados. Elas estavam buscando o Jesus crucificado, então “não temais”, era a palavra para elas.
Sua ressurreição foi anunciada e elas foram convidadas a ver o local onde Seu
corpo havia jazido, e onde, conforme aprendemos no relato de João, os lençóis
de linho estavam todos em seu lugar e intocados, mas dos quais o corpo sagrado
havia desaparecido. Era preciso apenas ver o lugar onde Ele estava para se
convencer de que o corpo não havia sido levado ou roubado. Um ato sobrenatural
havia ocorrido; e elas deviam ir como mensageiras aos discípulos, dizendo-lhes
que O encontrassem na Galileia.
Embora cheias de
conflitantes emoções de medo e gozo, as mulheres receberam a palavra do anjo
com fé e consequentemente partiram em obediência. A obediência de fé foi
rapidamente recompensada por uma aparição do próprio Senhor ressuscitado, e
isto as trouxe a Seus pés como adoradoras, e as enviou em seu caminho como
mensageiras do Senhor e não meramente do anjo. Na ocasião da última ceia, o
Senhor designou a Galileia como o ponto de encontro e confirmou-o a elas.
O parágrafo
entre parênteses, versículos 11-15, nos fornece um contraste impressionante. Passamos
da brilhante cena da ressurreição com gozo, fé, adoração e testemunho, para as
densas trevas da descrença com ódio, conspiração, suborno e corrupção,
resultando em uma mentira de um tipo tão flagrante que sua falsidade foi completamente
exposta diante deles. Se eles
estivessem dormindo, como poderiam saber o que havia acontecido? O dinheiro e o
amor a ele estão na raiz desse mal específico. Os soldados foram subornados e
devemos supor que a persuasão do governador seria alcançada da mesma maneira.
Qualquer coisa para impedir que a verdade quanto à ressurreição se espalhasse!
Eles perceberam como isso destruiria a causa deles enquanto estabeleceria a
Sua, e o diabo, que os movia, percebeu isso muito mais intensamente do que
eles. Eles deram apenas trinta moedas de
prata a Judas para cercar Sua morte, mas deram muito dinheiro aos soldados, esforçando-se para abafar o fato de
Sua ressurreição.
O evangelho
termina com os discípulos encontrando o seu Senhor ressuscitado na Galileia e
com a comissão que Ele lhes deu ali. Nenhuma menção é feita das várias
aparições em Jerusalém ou da ascensão de Betânia. Enquanto este evangelho
indica o estabelecimento da Igreja, ele traçou para nós principalmente a
transição da apresentação do reino como conectada com o Messias sobre a Terra,
como predito pelos profetas, para o reino dos céus em sua forma atual: isto é,
de uma forma em mistério enquanto o
Rei está oculto nos céus. Jerusalém era o lugar onde eles deveriam receber o
Espírito e ser batizados em o corpo, a Igreja, “não muito depois destes dias” (At 1:5); a Galileia era o distrito
onde foi encontrada a grande maioria do remanescente piedoso de Israel que,
recebendo-O, entrou no reino enquanto a massa do povo o deixou escapar.
Então o Senhor
retomou os elos com aquele remanescente em ressurreição, os onze discípulos
sendo os membros mais proeminentes dele; e, embora não ouvimos que Ele foi elevado
para o céu, mesmo assim Ele os comissionou como se estivesse falando do céu,
pois todo poder era Seu, tanto no céu quanto na Terra. Ainda não havia chegado
a hora de revelar plenamente a tarefa Cristã de reunir de entre as nações um
povo para o Seu nome: os termos aqui são mais gerais. Eles deveriam ir e fazer
discípulos e batizá-los, e esta é uma comissão que pode ser assumida pelo
remanescente crente de Israel depois que a Igreja se for. Como Israel foi
batizado a Moisés, seu líder, assim o discípulo deve ser batizado para o Cristo
ressuscitado como estando sob Sua autoridade, e o batismo deve ser em nome de
Deus como Ele foi completamente revelado. Não é plural, mas singular – não “em nomes”,
mas “em nome” – pois, embora
revelada em três Pessoas, a Divindade é uma só.
A palavra final
é: “eis que Eu estou convosco todos os
dias, até à consumação dos séculos”, de modo que, nesta palavra final temos
“todo”, não menos do que quatro vezes. Nosso exaltado Senhor
exerce todo o poder em ambas as
esferas, de modo que nada está além de Seu alcance. Se algo adverso acontecer
aos Seus servos, será sob Sua permissão. Todas
as nações é a esfera do serviço deles, e não no meio de Israel apenas como
antes. Os batizados das nações devem ser ensinados a observar todos os mandamentos e instruções do
Senhor, pois os servos devem ser caracterizados pela obediência e também trazer
à obediência aqueles que eles alcançarem. Então, todos os dias até o fim, eles podem contar com o apoio e a presença
espiritual de seu Mestre.
Tal é a comissão
com a qual o evangelho termina. Enquanto nos movemos em direção aos Atos e
passamos pelas Epístolas, descobrimos que vêm à luz desdobramentos que nos fornecem
a comissão evangélica completa de hoje, mas não perdemos a luz e o benefício do
que o Senhor diz aqui. Ainda vamos a todas as nações, batizando no Nome. Ainda
temos que ensinar toda a Palavra do Senhor. Todo poder ainda é d’Ele. Sua
presença estará conosco todos os dias até o fim dos tempos, não importa o que
possa acontecer.