Jesus Se
aproximou novamente da Judeia e os fariseus voltaram ao ataque. Eles levantaram
uma questão sobre casamento e divórcio, na esperança de apanhá-Lo. Nisso eles
falharam totalmente em cumprir porque estavam se colocando contra a sabedoria divina.
Uma resposta completa foi dada a eles ao remetê-los ao que Deus havia ordenado
no princípio. O homem não deveria desfazer o que Deus havia feito. Isso
levantou em suas mentes uma questão de por que o divórcio foi permitido na lei
dada por meio de Moisés. A resposta foi que tinha sido permitido por causa da
dureza do coração dos homens. Deus bem sabia disso e, portanto, Ele não
estabeleceu o padrão muito alto. A lei estabelece a exigência mínima de Deus
para a vida neste mundo. Portanto, falhar apenas uma vez a qualquer momento era
incorrer na sentença de morte. Apenas uma coisa pode dissolver o laço de acordo
com Deus, e esse é o rompimento virtual do vínculo por qualquer uma das partes.
É somente quando
chegamos a Cristo que obtemos a totalidade dos pensamentos de Deus – o máximo
de Deus em todos os aspectos.
O ensinamento do
Senhor quanto ao divórcio era novo e surpreendia até mesmo o Seus discípulos, que
estimulou a observação deles registrada no versículo 10. Isso, por sua vez,
levou-O a declarar que o casamento é a coisa normal para o homem, e o estado de
solteiro é o excepcional, como é também deduzido pelas palavras de Paulo em 1
Coríntios 7:7. Se isso “foi concedido”
a um homem, então “não convém casar”,
mas normalmente, “Venerado seja entre
todos o matrimônio” (Hb 13:4).
Depois disso, o
Senhor deu às crianças seu verdadeiro lugar. Os discípulos manifestaram o
espírito do mundo quando as trataram como sem importância, tanto que trataram a
introdução delas como uma intrusão. Assim, mostraram que ainda não haviam
aprendido a lição que Ele lhes ensinou nos versículos que abrem o capítulo 18 de
Mateus. O Senhor, pelo contrário, impôs Suas mãos sobre eles em bênção e
proferiu as memoráveis palavras: “não os
estorveis de vir a Mim; porque dos tais é o reino dos céus”.
Em seguida vem o
caso do jovem rico que afirmou ter guardado a lei, no que diz respeito aos
mandamentos relacionados ao dever de alguém em relação ao próximo. O Senhor não
negou sua afirmação, então aparentemente ele era irrepreensível no que se
refere à observância exterior. Ele estava muito enganado, no entanto, ao pensar
que fazendo algumas coisas boas ele poderia ter a vida eterna. Chegando naquele
terreno, Jesus imediatamente o testou e, sob o teste, ele fracassou
completamente. “Que me falta ainda?”
Foi sua pergunta, e a resposta teve o propósito de mostrar que ele não tinha a fé
que discernia a glória de Jesus, e que consequentemente o levaria a desistir de
tudo para segui-Lo. Ele se aproximou de Jesus como o “Bom Mestre”, e o Senhor não aceitaria a designação de “bom”, a
menos que fosse dado a Ele como o fruto do reconhecimento de Sua Deidade. “Não há bom senão um só que é Deus”, de
modo que, se Jesus não era Deus, Ele não era bom. Se o jovem reconhecesse a Deidade
daqu’Ele que lhe dizia: “Segue-Me”,
suas “muitas propriedades” teriam
sido como nada para ele, e ele teria seguido Jesus com prazer. Teríamos cada um
de nós reconhecido a glória de Jesus para sermos purificado do amor de meras
coisas terrenas?
O Senhor agora salientou
a Seus discípulos quão aderentes as riquezas terrenas são ao coração humano. Os
ricos entram no reino de Deus com grande dificuldade. Entre os judeus, a
riqueza era considerada um sinal do favor de Deus; por isso, esta declaração
também fez uma reviravolta nos pensamentos dos discípulos e os surpreendeu
grandemente. Eles achavam que ninguém poderia ser salvo já que os ricos tinham
tanta dificuldade. Isso levou a uma afirmação ainda mais forte. A salvação é
uma coisa não apenas difícil ou improvável para o homem, mas impossível.
Somente seria possível se o poder de Deus for manifestado.
Podemos resumir
os versículos 10-26, dizendo que o Senhor derramou Sua luz sobre casamento, filhos e propriedades:
três coisas que ocupam tanto de nossas vidas neste mundo, e em cada caso, a luz
que Ele derramou, revolucionou os pensamentos que anteriormente os discípulos
tinha conservado – ver versículos 10, 13, 25.
Pedro se apegou
às palavras do Senhor, desejando um pronunciamento preciso sobre qual
recompensa era oferecida àqueles que, como ele, haviam seguido o Senhor. A
resposta deixou claro que há que vir “a
regeneração”, isto é, uma ordem totalmente nova de coisas, quando o Filho
do Homem não será mais rejeitado, mas estará sentado no trono da Sua glória. E
que então os discípulos também estarão entronizados e investidos de poderes de
administração sobre as doze tribos de Israel. Naquele tempo os santos vão
julgar o mundo, e aqui é indicado o lugar de proeminência especial reservado
aos apóstolos. Também é mencionado que todos os que abandonaram as relações e gozos
terrenos pelo Seu Nome receberão cem vezes tanto juntamente com a vida eterna.
A vida que o jovem rico desejou, e perdeu por não seguir a Cristo, será deles.
O último versículo
do capítulo acrescenta uma palavra de advertência. Muitos que são os primeiros
neste mundo serão os últimos lá, e vice-versa; porque os pensamentos de Deus
não são como os nossos.