Este capítulo
registra Suas palavras de furor. Em poucos dias a multidão, influenciada por
esses homens, estaria bradando por Sua morte. Sua responsabilidade e culpa
foram grandemente aumentadas por esse aviso que o Senhor lhes deu quanto ao
verdadeiro caráter de seus líderes.
Ele começou por concedendo
a eles o lugar que eles reivindicaram como os expoentes da lei de Moisés.
Portanto, o povo devia observar e guardar a lei como eles ouviram de seus
lábios. No entanto, eles deveriam evitar cuidadosamente tomá-los como exemplos.
Suas vidas contradiziam a lei que eles proclamavam. Eles legislaram para os
outros sem a menor consciência quanto à sua própria obediência. Isto o Senhor
declarou no versículo 4, e é uma ofensa muito comum entre os religiosos professos,
que amam dirigir outras pessoas enquanto são permissivos consigo mesmos.
Então, nos
versículos 5-12, Ele expôs seu amor de serem vistos e terem preeminência. Tudo era
para o olho dos homens. Nas festas – o círculo social, nas sinagogas – o círculo
religioso, nos mercados – o círculo de negócios, eles queriam o lugar principal
como rabinos e mestres. O discípulo de Cristo deve ser o exato oposto de tudo
isso, então vamos trazer isso profundamente ao coração. A derrubada de tais
homens é apenas uma questão de tempo. Eles deveriam ser sinalizadores para o
reino, mas na verdade eram obstáculos. Eles não entraram e impediram os outros
de entrar.
Além disso,
usaram sua posição para roubar a pobre e viúva indefesa, encobrindo essa maldade
com a ostentação de longas orações; consequentemente eles deveriam receber um
julgamento mais severo. Longas orações podem impressionar a multidão, mas não
impressionavam o Senhor! Vamos nos lembrar disso e evitá-las nós mesmos.
Atrevemo-nos a afirmar que ninguém marcado pelo desejo profundo e realmente
consciente da presença de Deus, pode vagar em um labirinto de palavras. Como
Eclesiastes 5:2 indica, suas palavras devem ser poucas.
Grande zelo para
fazer prosélitos[1] é característico
da mente farisaica, e as palavras do Senhor no versículo 15 expõem uma
característica notável do mero proselitismo. A reprodução com maior ênfase do
caráter dos proselitistas naqueles que são proselitizados. Os fariseus eram
filhos do inferno, e seus convertidos eram duas vezes mais filhos do inferno. É
por isso que há sempre uma tendência para homens sedutores e malignos piorarem
cada vez mais, até que tudo esteja pronto para o julgamento.
Nos versículos
16-22, o Senhor condena seus fantasiosos ensinamentos. As distinções que eles
traçam entre o templo e o ouro do templo, entre o altar e a oferta sobre ele,
podem fazer com que os distraídos os considerem com admiração, como possuindo
mentes muito superiores; na realidade, suas distinções eram puramente
imaginárias e apenas uma prova de sua própria cegueira e insensatez. Assim, com
outros assuntos; muita meticulosidade sobre pequenas coisas; muita negligência
quanto a grandes coisas – seja positivamente, quanto ao que eles observavam,
como no verso 23, ou negativamente, quanto ao que eles recusavam, como no
versículo 24. De fatos eles eram cegos, e esse tipo de cegueira é muito comum
hoje em dia .
Os versículos
25-28 expõem outra característica perniciosa; eles só se preocupavam com a
limpeza externa, de modo a parecer bem aos olhos dos homens. Eles não se
preocuparam com o interior que era visível aos olhos de Deus. Eles foram os
mais cuidadosos quanto à possível contaminação adquirida pelo contato externo; porém
os mais descuidados quanto à contaminação que eles mesmos geraram internamente.
Como resultado, tornaram-se centros de contaminação e, ao invés de serem
contaminados por outros, eles mesmo difundiam a contaminação a outros. Acima de
qualquer suspeita, este é o mal mais sutil, do qual bem devemos orar para que
possamos ser preservados.
Por último, nos versículos
29-33, o Senhor os acusou de serem os que mataram os profetas de Deus. Eles edificaram
os sepulcros para os profetas anteriores, uma vez que a ferroada de suas
palavras não era mais sentida, mas eles eram verdadeiramente filhos daqueles
que os haviam matado; e, fiel ao princípio do versículo 15, eles se mostrariam duas
vezes mais filhos dos matadores; enchendo a medida de pecados de seus pais e
terminando sem dúvida na condenação do inferno.
Esta passagem
nos fornece a mais terrível denúncia dos lábios de Jesus, da qual temos
registro. Ele nunca disse essas coisas a qualquer publicano ou pobre pecador.
Essas palavras de furor eram reservadas para os religiosos hipócritas. Ele era
cheio de graça e verdade. Graça com verdade Ele estendeu aos pecadores confessos.
O holofote da verdade, sem menção da graça, estava reservado para os
hipócritas.
Então aconteceu
que o sangue de uma longa linhagem de mártires estava à porta daquela geração;
e agora, pela última vez, Jerusalém estava tendo a oportunidade de confiar sob
as asas de Jeová, que estava entre eles na Pessoa de Jesus. Frequentemente, Ele
os teria protegido assim como os Salmos prestam testemunho, e frequentemente
Jesus os teria reunido durante Sua jornada entre eles; mas eles não quiseram.
Consequentemente, a formosa casa em Jerusalém, outrora reconhecida como de
Jeová, foi deserdada. Era apenas a casa deles e estava desolada; e aqu’Ele que a
teria enchido estava saindo deles, para não ser mais visto até que dissessem: “Bendito O que vem em nome do Senhor”.
Eles não dirão isso, como mostra o Salmo 118, até que chegue “o dia que fez o Senhor”, quando “A Pedra que os edificadores rejeitaram
tornou-Se cabeça da esquina”.
[1]
N. do T.: Um prosélito é alguém que saiu de
uma religião pagã e aderiu ao judaísmo.