Após esses três
capítulos cheios de Seus ensinamentos, Mateus nos dá dois capítulos ocupados
com Suas obras de poder. Não foi suficiente para Ele enunciar os princípios do reino, Ele manifestou o poder do reino em uma variedade de
marcantes formas. Existem cinco
ilustrações principais desse poder em Mateus 8 e novamente em Mateus 9. Em cada
caso podemos dizer que o milagre que o Senhor realizou em conexão com os corpos
humanos, ou com coisas visíveis e tangíveis, foi uma prova de como Ele poderia
lidar com as coisas mais profundas da alma.
O primeiro caso é o do leproso; uma figura
do pecado em seu poder profanador e corruptor. O pobre homem estava convencido
do poder de Jesus, mas não totalmente persuadido de Sua graça. No entanto, o
Senhor instantaneamente o libertou pelo Seu toque e Sua palavra de poder.
Apenas três palavras: “Quero, sê limpo”,
e aquilo aconteceu; um testemunho aos sacerdotes – se o homem fez como lhe fora
dito – que o poder de Deus estava presente entre eles.
O segundo caso foi o do centurião gentio e
seu criado; um caso ilustrando a impotência introduzida pelo pecado. Aqui
novamente é enfatizado o poder da Sua palavra. O próprio centurião enfatizou
isso, pois ele conhecia o poder de uma palavra autoritária como exemplificado
no sistema militar romano. A patente de centurião não era alta, mas os que estavam
sob ele obedeciam imediatamente a suas instruções, e sua fé descobriu em Jesus aqu’Ele
cuja palavra poderia realizar o milagre. O Senhor reconheceu sua fé como sendo grande
e além de tudo o que havia encontrado em Israel; Ele falou a palavra necessária
e o servo foi curado. Ele também profetizou que muitos gentios de longe
entrariam no reino com os patriarcas de Israel, enquanto aqueles que consideravam
o reino como seus por direito prescrito seriam lançados nas trevas exteriores.
O terceiro caso é o da sogra de Pedro.
Aqui seu toque imediatamente a curou; não há registro de que Ele tenha falado
uma palavra sequer. Pode ser o Seu toque e a Sua palavra, como com o leproso;
ou apenas a Sua palavra, como com o servo do centurião; ou apenas Seu toque: o
resultado em cada caso foi o mesmo – livramento instantâneo. Não houve um
período de recuperação dos resultados da febre; Ela imediatamente se levantou e
serviu os outros. O pecado produz um estado febril de espírito e alma, mas o
Seu toque dissipa-o.
Nos versículos
16 e 17, temos primeiro um resumo de Suas muitas obras de poder e misericórdia
ao entardecer; e segundo, a citação de Isaías 53, que nos revela a maneira e o
espírito em que Ele fez essas coisas. As palavras citadas têm sido usadas
erroneamente por alguns como se quisessem dizer que na cruz Ele levou nossas
doenças, e assim o crente nunca deveria estar doente. A correta aplicação é
encontrada aqui. Ele não aliviou os homens sem antes sentir suas tristezas e
doenças. Ele provou em Seu espírito o peso dos próprios males que Ele curou por
Seu poder.
Os incidentes
registrados nos versículos 18-22 nos mostram que não apenas nossa libertação,
mas nosso discipulado também deve ser ao chamado da Sua palavra mandatória. Certo
escriba voluntariou-se para O seguir sem ter recebido Seu chamado. O Senhor
imediatamente mostrou-lhe o que estaria envolvido em seguir Alguém tal como Ele
mesmo, pois Ele era o Filho do Homem sem lar. Mas, de outro modo, Seu chamado é
suficiente. Alguém que já era um discípulo queria colocar um dever terrestre em
primeiro lugar. O chamado e a reivindicação do Mestre devem ser absolutamente
supremos. Ele tinha discípulos que reconheceram Sua reivindicação e O seguiram,
como mostra o versículo 23, e deram a Ele um lugar para recostar Sua cabeça no
barco deles. No entanto, mesmo assim, segui-LO, levou-os a problemas.
Isso nos leva ao
quarto desses casos impressionantes –
a tempestade no lago; típico de como o poder do diabo chicoteia com fúria o
inquieto mar da humanidade. Tudo aquilo nada era para Ele e assim dormia pacificamente.
Mas, ao clamor dos discípulos, Ele Se levantou e desferiu Seu comando sobre essas
poderosas forças da natureza. Como um homem comanda seu cão de caça, e este, obediente,
se submete junto a seus pés, assim também o vento e o mar se submetem à palavra
de seu Criador.
Chegando ao
outro lado Ele foi confrontado por dois homens que eram dominados por servos
demoníacos do diabo. Um deles era uma fortaleza especial, mantida por toda uma
legião de demônios, como Marcos e Lucas nos mostram; embora evidentemente
houvesse dois, e assim um testemunho suficiente foi rendido ao Seu poder sobre
o inimigo. Os demônios O conheciam e também sabiam que não tinham poder para
resistir à Sua palavra: por isso pediram permissão para entrar na manada de imundos
porcos, que nunca deveria ter estado lá se Israel andasse segundo a lei. Até
onde a narração registra, Jesus falou apenas uma palavra – “Ide”! Como resultado, os homens foram libertos e os porcos
destruídos.
Até aqui
consideramos o poder do Senhor. Antes de deixar o capítulo, notemos a reação do
lado dos homens. Há um contraste marcante entre a “tanta fé” do centurião e a “pouca
fé” dos discípulos na tempestade. A “tanta
fé” foi marcada por duas coisas vistas no versículo 8. Ele disse: “não sou digno”, condenando a si mesmo
e, assim, excluindo-se da questão. Ele também disse: “dize somente uma palavra” ao dirigir-se ao Senhor. Ele não tinha
opinião de si mesmo, mas ele tinha uma grande opinião sobre Ele – tão grande
que ele estava preparado para acreditar em Sua palavra sem qualquer apoio
externo. Algumas pessoas querem ter a palavra do Senhor apoiada por
sentimentos, ou pela razão, ou pela experiência, mas a grande fé é produzida
pela descoberta em Jesus de uma Pessoa tão grande que a Sua palavra pura é
suficiente.
Com os
discípulos, foi exatamente o oposto. Eles estavam pensando completamente a si
mesmos. Disseram: “Salva-nos que
(nós) perecemos” Quando Jesus acalmou a tempestade eles ficaram
espantados, dizendo: “Que homem é Esse?”
Sim, Quem era Esse, de fato? Se eles realmente O conhecessem, ficariam
surpresos se Ele não tivesse afirmado Seu poder. O fato era que eles tinham
grandes pensamentos sobre si mesmos e apenas pequenos pensamentos sobre Ele; e
isso é pouca fé. Então eles se maravilharam enquanto Ele agia; enquanto que no
caso do centurião Jesus Se maravilhou com a fé dele. Apesar da pouca fé deles,
no entanto, eles O amavam e O seguiam.
No início do
capítulo, vemos a fé deficiente da parte do leproso. Ele viu claramente o poder
de Jesus, mas pouco percebeu da Sua disposição. No final do capítulo, vemos
homens sem fé alguma.
Eles não
ponderavam o fato de que os demônios haviam sido desalojados, pois um
livramento espiritual significava pouco para eles. O que importava para eles
era a perda de seus porcos. Eles não apreciavam Jesus, mas apreciavam os porcos!
Uma adequada figura dos homens do mundo que têm olhos para qualquer ganho
material, mas nenhum coração para Cristo. Eles evidentemente não conseguiram
nada, mas todos os outros conseguiram. Não deixe escapar o prazeroso fato de
que a fé deficiente e a pouca fé receberam a bênção tão real e plenamente
quanto a grande fé. A bênção não está de acordo com a qualidade ou quantidade
de fé, mas de acordo com Seu coração de graça.