Mas o Senhor
calmamente continuou com o que tinha a dizer-lhes, assim, na abertura deste
capítulo, temos a parábola do casamento do filho do rei, que prediz do dia do evangelho
que estava prestes a amanhecer. Não há a pergunta: “Que vos parece?” sobre esta parábola, pois ela vai completamente para
além dos pensamentos dos homens. Ela também se distingue das outras duas
parábolas pelo início: “O reino dos céus
é semelhante” ou, mais literalmente, “tornou-se
semelhante” (JND). Os homens vêm à jurisdição do céu pela recepção do
convite do evangelho, quando a ruptura é completa, como figurado nas outras
parábolas. Agora, novamente, vamos ouvir algo novo, assim como aconteceu no
capítulo 13.
Nesta parábola o
rei não exige nada de ninguém. Ele dá em vez de exigir. Ele também tem um “Filho” em cuja honra Ele faz uma festa
de casamento, enviando Seus servos para chamar os homens a virem. Quão
habilmente o chamado anuncia a mensagem do evangelho: “Eu tenho preparado... tudo está pronto: vinde às bodas”. Preparado
pelo sacrifício de Cristo. Pronto, porque a Sua obra está consumada. Por isso,
agora não é “Vai trabalhai”, mas “Vinde”.
Em primeiro
lugar, o convite saiu para “os
convidados”, um número de pessoas especialmente privilegiadas. Vemos o
cumprimento disso nos primeiros capítulos de Atos. Por um curto período de
tempo o evangelho foi enviado apenas para os judeus, mas a maioria deles fez
pouco caso disso, ocupados com ganhos mundanos, enquanto alguns se opuseram
ativamente, perseguindo e matando alguns dos primeiros mensageiros, como visto
no caso de Estêvão. Este primeiro estágio terminou com a destruição de
Jerusalém, como predito no versículo 7.
Então o convite
é estendido como vemos nos versículos 9 e 10. Na parábola de Lucas 14,
encontramos um servo, representando sem dúvida o Espírito Santo; aqui muitos
servos estão em questão, representando os instrumentos humanos que o Espírito
pode usar. Eles vão às encruzilhadas dos caminhos, convidando a todos os que
encontram, sejam maus ou bons. O Espírito pode “compelir” os homens a entrar, como em Lucas 14: os servos são
instruídos a convidar todos e quaisquer com os quais se depararem. Nem todos
irão responder, mas por este meio a festa terá o seu total de convidados
completo. O pregador do evangelho não deve se envergonhar com perguntas quanto
à graça eletiva de Deus. Ele simplesmente tem que passar a Palavra para todos
que encontra; reunindo todos aqueles que respondem, porque Deus tocará o
coração dos homens.
A segunda parte
da parábola, versículos 11-14, mostra que, como sempre quando se refere à
atividade humana, o que não é irreal pode entrar e permanecer por um tempo. Ao
não aceitar o vestido de núpcias de casamento, o homem se recusou a honrar o filho
do rei. Quando o rei apareceu o homem foi detectado e consignado ao seu
verdadeiro lugar nas trevas exteriores. A presença divina irá desmascarar o que
não é verdadeiro e desvendar tudo. Vimos isso em Mateus 13, e vamos vê-lo
novamente em Mateus 25.
O fato de os
fariseus agora estarem ficando desesperados é visto no fato de que eles foram
levados a uma aliança com os herodianos, a quem eles abominavam. Sua pergunta
quanto ao tributo foi habilmente construída de modo a deixá-Lo em descrédito
tanto a César quanto com o povo. Eles começaram com o que pretendiam ser
bajulação, mas que era uma sóbria afirmação da verdade. Ele era verdade. Ele
ensinou o caminho de Deus em verdade. Ele estava totalmente acima em relação às
pessoas dos homens. Pedindo o dinheiro do tributo, Ele lhes mostrou que era
evidentemente de César, pois tinha sua imagem sobre ele. Se é de César deve ser
entregue a ele; mas então Ele os colocou na presença de Deus. Eles estavam
oferecendo a Deus as coisas que eram d’Ele? Essa grande resposta não apenas os
surpreendeu, mas também feriu suas consciências de modo que eles foram embora.
Jesus havia declarado um grande princípio de ação aplicável a todos nós, desde
que estivéssemos sob a jurisdição de qualquer tipo de César. Devemos prestar a
César todos os seus direitos, mas as coisas que são de Deus são muito mais
altas e mais extensas do que tudo o que é de Cesar.
A questão
proposta pelos saduceus foi habilmente projetada com o duplo objeto de
embaraçar Jesus e de ridicularizar a crença na ressurreição, que para as suas
mentes significava apenas uma restauração da vida em condições normais neste
mundo. Sem dúvida, eles tinham certeza de que, em resultado, Jesus ficaria
desconcertado e eles mesmos confirmados em sua incredulidade. Mas a resposta do
Senhor mostrou que a ressurreição introduz em outro mundo onde prevalecem
condições diferentes, e Ele citou Êxodo 3:6, mostrando que nos dias de Moisés,
os Patriarcas viviam naquele outro mundo, embora ainda não ressuscitados dos
mortos. O fato de que seus espíritos estavam lá garantiu que, finalmente, eles
estariam lá em corpos ressuscitados.
Naqueles dias os
sacerdotes eram principalmente da seita dos saduceus, e o Senhor não os poupou
na exatidão de Sua repreensão. “Errais”,
era Sua palavra clara e Ele indicou a fonte do erro deles; eles não conheciam
nem as Escrituras, que professavam expor, nem o poder de Deus, a Quem
professavam servir. Este duplo erro permeia a toda a incredulidade religiosa
moderna. Primeiro, as Escrituras são frequentemente mal citadas e sempre mal
compreendidas. Segundo, em suas mentes Deus está tão despojado de Seu poder e
glória que dificuldades sem fim são criadas. Deixe Seu poder ser admitido e as
dificuldades deixam de existir.
A resposta do
Senhor surpreendeu a todos que a ouviram. Evidentemente era tudo novidade para
eles, até para os fariseus, os quais nunca conseguiram silenciar os saduceus dessa
forma. Ouvindo isso, os fariseus se reuniram, e um deles fez ao Senhor sua
pergunta sobre a lei, levantando um ponto que, sem dúvida, frequentemente discutiam
entre si. Ele estava pensando sobre os Dez Mandamentos em Êxodo 20, mas o
Senhor o levou a Deuteronômio 6:5 e acrescentou Levítico 19:18. A exigência da
lei é resumida em uma palavra – amor. Primeiro, amor a Deus; segundo, amor ao
próximo. Quando Paulo nos diz: “o amor
é, pois, o cumprimento da lei” (Rm 13:10 – TB), ele está apenas afirmando
em outras palavras o que Jesus disse aqui (v. 40).
As três
parábolas os haviam trazidos face a face com a graça do evangelho; as três
perguntas foram respondidas de modo a impressionar o amor, como exigência
suprema da lei. A esse amor eles eram estranhos. No entanto, estando ainda
reunidos, Jesus propôs a eles Sua grande pergunta: “Que pensais vós do Cristo? De Quem é Filho?” Eles sabiam que Ele
era o Filho de Davi, mas por que Davi O chamava de seu Senhor, no Salmo 110,
eles não sabiam. A única solução possível desse problema foi dada no primeiro
capítulo do nosso evangelho. “Jesus
Cristo, Filho de Davi” é “Emanuel,
que traduzido é: Deus conosco”. Se a fé uma vez apreende isso, toda a posição
é tão clara quanto a luz do Sol. Se isso for recusado como acontece com esses
pobres fariseus, tudo é obscuro. Eles estavam nas trevas. Eles não poderiam
responder uma palavra sequer, e seu fracasso era tão completo que não ousavam
mais questioná-Lo.
No entanto,
apesar de eles terem concluído com Ele, o Senhor não havia terminado com eles. Tinha
chegado a hora de desmascarar esses hipócritas na presença das multidões, que
estavam sob sua influência.